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Published in: on março 18, 2008 at 2:19 pm  Deixe um comentário  

Para Edificação dos Santos

A Guerra Acabou

Por William de Oliveira

Como todo calvinista “roxo”, durante alguns anos, especialmente no ambiente do seminário, vinha me degladiando com os denominados arminianos. Posso afirmar que busquei especializar-me nessa peleja, não apenas na compreenção das verrdades dogmáticas, mas também na exposição cinica e provocativa desas verdades. Pra ser ainda mais claro, posso afirmar que sempre me dava um enorme prazer ve-los de guarda baixa, totalmente sem argumentos, pelo menos que fossem o mínimo plausíveis, impotentes diante da devastadora sistemática de Calvino. Pobres arminianos, não passavam aos meus olhos de uns idiotados, hereges, não por que eram maus cristãos, alguns eram até de conduta exemplar, mas por uma pura incapacidade intelectual para compreender o que para mim era tão obvio, Deus tem seus escolhidos!

No entanto, recentemente, a vida (pra não dizer a teologia mesmo) me pregou, e ainda esta pregando, uma peça. Na verdade ela me apresentou alguns pensadores, que por sua vez, me apresentaram uma forma revolucionária de se (re)pensar a fé. A novidade desse pensamento não está na forma, pois isso apenas mudaria o dogma (e nesse caso ainda preferiria ficar com o calvinismo), mas na postura dos pensadores.

Durante todo minha carreira teológica e eclesiástica aprendi a formular pensamentos de maneira profundamente apologética. O intuito era defender o nosso gueto evangélico. Numa verdadeira cruzada, sacralizamos nossa forma de fé (lê-se dogma), e demonizamos todo o restante, condenando-os a foqueira dos pensamentos heréticos.

Mas esses pensadores contemporâneos me ensinaram algo maravilhoso, muito próximo do que Jesus já teria me ensinado se tivesse aprendido a ler minha fé sem a interferência da religiosidade pré-moderna. Eles me ensinaram a ver e fazer teologia apartir de baixo, olhando para os homens. Me mostraram que a verdadeira teologia deve ser formulada considerando os “gritos e clamores” da humanidade. Me ensinaram que devo ler a Bíblia não com o velho e ineficaz literalismo medieval, mas através das lentes hermenêuticas. Não considerando a integridade dos fatos, mas o sentido deles.

Me ensinaram, antes de tudo, que o mais importante é fazer uma teologia que ensine o amor e a importancia de responder perguntas atuais, que se não respondidas adequadamente certamente levarão homens ao ateísmo, e o cristianismo ao descrédito.

Agora não quero mais uma religião que me proteja, como ja disse Rubem Alves, dentro das gaiolas seguras das certezas absolutas, ou que me arme contra os de pensamento oposto, antes quero uma fé verdadeiramente viva e dinâmica, que permita a dúvida e o questionamento, que me dê o privilégio de mudar de opinião e de não ter todas as respostas. Quero uma teologia que não tenha medo da ciência, mas humildemente confesse sua impotência em respoder certas perguntas, dando “honra a quem tem honra”. Quero uma religião que me religue ao Deus que criou por amor, e que, por pura onipotencia escolheu ser Emanuel, o Deus conosco.

Arminianos, pra mim a guerra acabou!

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Regra de fé?
 
por Ricardo Gondim
 A frase mais repetida pelos crentes brasileiros sobre a Bíblia é que ela é a sua “única regra de fé e de prática”.Ledo engano! A teologia sistemática reina acima da revelação dos dois Testamentos.
Por Ricardo Gondim

Os crentes são induzidos a crerem primeiramente em conceitos teológicos cuidadosamente inculcados, só depois vêem os textos sagrados. Pior! Quando um dogma teológico não se encaixa na narrativa bíblica, sempre haverá algum livro que faz a ginástica de ajustar a Bíblia à teologia, nunca o contrário.

Urge, entretanto, que a Bíblia seja devolvida ao seu papel de rainha da revelação, sem a interferência do teólogo que diminui sua riqueza poética, sabota sua profundidade alegórica e questiona sua intensidade mítica. A Bíblia não pode ser relegada à função de mera legitimadora de conceitos humanos.

Já fui duramente acusado pelos fundamentalistas de tentar “minar” a soberania de Deus. Alguns já apontaram seus dedos virtuais e, com as veias latejando, tentaram me fritar por “ousar diminuir a onipotência divina”.

Nunca afirmei que Deus não fosse onipotente, jamais neguei sua prerrogativa de reinar soberanamente. Contudo, reivindico o direito de questionar, não Deus, mas o que a filosofia e a teologia definiram como soberania.

Devolvo a palavra ao calvinista Ricardo Quadros Gouvêa:

“A doutrina da soberania divina foi transformada, pela ortodoxia cartesiana, e é ensinada pelos fundamentalistas, como uma forma de fatalismo. Tudo já está determinado por Deus, portanto não há qualquer liberdade resguardada ou concedida aos homens. Este fatalismo nada tem de cristão ou de bíblico, mas está ancorado na filosofia grega e no paganismo pré-cristão. Isso gerou, na alegada ortodoxia reformada, o predestinacionismo, este cancro do calvinismo, uma ênfase injusta com o próprio pensamento de Calvino, e que permite aos homens irem direto ao inferno para cumprirem a vontade de Deus” (p.26). (mais…)

Published in: on março 14, 2008 at 2:09 pm  Deixe um comentário